{"id":2724,"date":"2016-05-01T16:00:00","date_gmt":"2016-05-01T19:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/vipfesta.com.br\/vipfesta\/?p=2724"},"modified":"2020-01-07T08:22:18","modified_gmt":"2020-01-07T11:22:18","slug":"instalado-no-vale-do-guapore-em-costa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vipfesta.com.br\/vipfesta\/instalado-no-vale-do-guapore-em-costa\/","title":{"rendered":"Instalado no Vale do Guapor\u00e9, em Costa Marques, Forte Pr\u00edncipe da Beira inspira uma viagem ao passado"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-AzuisBC8b-M\/Vyfr9s07m3I\/AAAAAAAEXbU\/FGm5rkHMgNU56NBU9HFVjrM-TetrjbvdACKgB\/s1600\/forte-3.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"426\" src=\"http:\/\/vipfesta.com.br\/vipfesta\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/forte-3.jpg\" width=\"640\" \/><\/a><\/div>\n<p>\nImponente, o Forte Pr\u00edncipe da Beira resiste na paisagem apaixonante do Vale do Guapor\u00e9. O monumento hist\u00f3rico mais antigo de Rond\u00f4nia homenageou a luta contra a invas\u00e3o espanhola atrav\u00e9s da in\u00f3spita, mas prodigiosa Amaz\u00f4nia, no s\u00e9culo XVII. A fortaleza, projetada para resistir a longos embates, inspira uma viagem ao passado.<\/p>\n<p>Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico Nacional desde 1937, o Forte Pr\u00edncipe da Beira est\u00e1 localizado no munic\u00edpio de Costa Marques, na fronteira com a Bol\u00edvia, a 735 quil\u00f4metros de Porto Velho. O in\u00edcio de sua constru\u00e7\u00e3o completa neste ano 240 anos.<\/p>\n<p>A fortaleza, cuja estrutura se esvai com o tempo, representa uma parte fundamental hist\u00f3ria do Brasil: a defesa da soberania. A inspira\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o teve como base estudos profundos realizados por determina\u00e7\u00e3o da coroa portuguesa, que temia perder terras para os espanh\u00f3is.<\/p>\n<p>O rei de Portugal, D. Jo\u00e3o V (1706-1750) ordenou a constru\u00e7\u00e3o de um forte para consolidar o dom\u00ednio territorial, ao mesmo tempo em que assegurava a explora\u00e7\u00e3o do ouro na vastid\u00e3o da pouco conhecida regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia para defender e, at\u00e9 mesmo expandir seu dom\u00ednio territorial da coroa portuguesa ante a cobi\u00e7a do imp\u00e9rio espanhol, foi confiada a dom Ant\u00f4nio Rolim de Moura Tavares, governador e capit\u00e3o-general da Capitania do Mato Grosso.<\/p>\n<p>Na primeira investida para assegurar a soberania na regi\u00e3o, Rolim de Moura, em 1760, tomou as instala\u00e7\u00f5es de jesu\u00edtas espanh\u00f3is, que foram transformadas no Fortim de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A obra suportou as investidas dos espanh\u00f3is. Algum tempo depois, vencidos pelas doen\u00e7as, os invasores desistiram da empreitada. O fortim foi destru\u00eddo por uma enchente em 1771.<\/p>\n<p>Em 1772, o ent\u00e3o capit\u00e3o-general, Lu\u00eds de Albuquerque de Melo Pereira e C\u00e1ceres, governador da Col\u00f4nia do Mato Grosso, assumiu a miss\u00e3o de dominar as duas margens do rio Guapor\u00e9 e manter afastada a amea\u00e7a de invas\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-qG8IjDPu7-c\/Vyfr-Bo0I4I\/AAAAAAAEXbY\/AAzh9JVhHpgNv1vZqhYVsYzQAIc0cO0zwCKgB\/s1600\/forte-prencipe-da-beira-fotos-de-%25C3%2589sio-Mendes-5.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"200\" src=\"http:\/\/vipfesta.com.br\/vipfesta\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/forte-prencipe-da-beira-fotos-de-C389sio-Mendes-5.jpg\" width=\"133\" \/><\/a><\/div>\n<p>\nLOCAL ESTRAT\u00c9GICO<\/p>\n<p>Pereira e C\u00e1ceres navegou pelo rio Guapor\u00e9 para encontrar, na margem direita, local estrat\u00e9gico para erguer um forte em substitui\u00e7\u00e3o ao de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o. Dois quil\u00f4metros acima encontrou a \u00e1rea que foi considerada ideal.<\/p>\n<p>Em 20 de junho de 1776, os alicerces do novo forte receberam a pedra fundamental. Assim se manifestou o governador da Prov\u00edncia de Mato Grosso sobre o acontecimento: \u201cA soberania e o respeito de Portugal imp\u00f5em que neste lugar se erga um forte, e isso \u00e9 obra e servi\u00e7o dos homens de el-rei, nosso senhor e, como tal, por mais duro, por mais dif\u00edcil e por mais trabalho que d\u00ea,\u2026 \u00e9 servi\u00e7o de Portugal. E tem de se cumprir.\u201d<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o foi iniciada em 20 de junho de 1776, pelo engenheiro Domingos Samboceti, que faleceu v\u00edtima de mal\u00e1ria durante a obra. Foi conclu\u00edda sob o comando do capit\u00e3o-engenheiro, Ricardo Franco de Almeida e Serra, em 20 de agosto de 1783.<\/p>\n<p>A placa comemorativa, instalada no alto do portal de entrada, registra: \u201cSendo Jos\u00e9 I, Rei Fidel\u00edssimo de Portugal e do Brasil, Luiz Albuquerque de Mello Pereira e C\u00e1ceres, por escolha da Majestade Real, Governador e Capit\u00e3o-General desta vast\u00edssima Prov\u00edncia do Mato Grosso, planejou para ser constru\u00edda a s\u00f3lida funda\u00e7\u00e3o desta Fortaleza sob o August\u00edssimo nome do Pr\u00edncipe da Beira com o consentimento daquele Rei Fidel\u00edssimo e colocou a primeira pedra no dia 20 do m\u00eas de junho do ano de Cristo de 1776\u201d.<\/p>\n<p>O Forte Pr\u00edncipe da Beira \u00e9 a obra mais significativa do imp\u00e9rio portugu\u00eas fora de Portugal. A arquitetura foi concebida com os modernos conceitos do engenheiro franc\u00eas, S\u00e9bastien Le Prestre, o Marqu\u00eas de Vauban (1633 \u2013 1707), que revolucionou com inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas defensivas as fortifica\u00e7\u00f5es da \u00e9poca.<\/p>\n<p>ESTRUTURA<\/p>\n<p>O acesso ao interior da fortaleza se dava por uma ponte elevadi\u00e7a de tr\u00eas metros de comprimento no setor norte. Na parte interna havia 14 resid\u00eancias destinadas aos oficiais, uma capela armaz\u00e9m, dep\u00f3sito, alojamento para os soldados e pris\u00e3o. No centro, ainda existe o po\u00e7o com abertura moldada em quadrado e ligada a um estreito t\u00fanel.<\/p>\n<p>forte prencipe da beira fotos de \u00c9sio Mendes &nbsp;(5)<br \/>\nSegundo historiadores, os canh\u00f5es nunca foram utilizados<br \/>\nOs quatro canh\u00f5es de bronze e calibre 24 foram enviados de Bel\u00e9m do Par\u00e1, em 1825, atrav\u00e9s do rio Tapaj\u00f3s, e levaram cinco anos para chegar ao forte. Apesar da impon\u00eancia, nenhum embate foi travado ali.<\/p>\n<p>Abandonado em 1889, j\u00e1 na vig\u00eancia da Rep\u00fablica, o forte foi alvo de saques diversos. Objetos hist\u00f3ricos foram levados mediante autoriza\u00e7\u00e3o sob os mais diferentes argumentos.<\/p>\n<p>Em 1914 foi visitado pelo ent\u00e3o major Rondon (C\u00e2ndido Mariano da Silva Rondon, mais tarde marechal Rondon). A presen\u00e7a oficial, entretanto, s\u00f3 aconteceu a partir de 1930, com a instala\u00e7\u00e3o de uma base militar ao lado da fortifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pelo gigantismo do empreendimento, a regi\u00e3o prosperou atraindo negociantes, o que tornou Costa Marques uma cidade densamente habitada. Atualmente, h\u00e1 17 mil habitantes, dos quais 14 mil est\u00e3o na \u00e1rea urbana.<\/p>\n<p>O acesso para o forte \u00e9 feito por uma estrada de terra. O percurso tem trechos acidentados, e a floresta sombreia quase todo o trajeto. H\u00e1 propriedades rurais e pelo menos uma pousada no caminho. Homens montados a cavalo e motociclistas circulam em harmonia.<\/p>\n<p>Uma placa confeccionada rusticamente recomenda redu\u00e7\u00e3o de velocidade, e indica a proximidade com o colossal monumento. A partir dali, circulam crian\u00e7as, jovens e idosos remanescentes de um quilombo reconhecido pela Funda\u00e7\u00e3o Palmares. O grupo \u00e9 representado pela Associa\u00e7\u00e3o Quilombola do Forte. Elvis Pessoa, o presidente da entidade, defensor da hist\u00f3ria dos negros na regi\u00e3o, afirma que a presen\u00e7a de seus antepassados na regi\u00e3o est\u00e1 relacionada \u00e0 fuga da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00cdndios e negros trabalharam na constru\u00e7\u00e3o do forte, mas o local j\u00e1 era habitado. H\u00e1 relatos de que a negra, Ana Moreira, era propriet\u00e1ria de cabanas e numa delas foi acolhido o engenheiro, Domingos Samboceti\u201d, disse Elvis.<\/p>\n<p>Os quilombolas moram ao redor do forte, atuando como guias dos cerca de 70 mil turistas que visitam o forte todos os anos. Atualmente, s\u00e3o 98 fam\u00edlias, mas j\u00e1 foram mais de 100. A busca por trabalho na cidade contribui para o \u00eaxodo.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos quilombolas no turismo relacionado ao forte \u00e9 vis\u00edvel. Eles mant\u00e9m um posto de atendimento no quartel onde est\u00e1 instalado o Pelot\u00e3o de Fronteira. Ali\u00e1s, o Ex\u00e9rcito \u00e9 respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o do forte e presta servi\u00e7os essenciais aos quilombolas, como atendimentos m\u00e9dico e odont\u00f3logos, al\u00e9m de receber alunos na Escola General Sampaio, que funciona dentro do quartel.<\/p>\n<p>Durante as f\u00e9rias de julho o movimento \u00e9 maior. Como \u00e1s \u00e1guas do rio Guapor\u00e9 est\u00e3o mais baixas, as pedras que revelam misteriosas inscri\u00e7\u00f5es ficam expostas. \u00c9 poss\u00edvel ver sinais que indicam uma rota, provavelmente para povos ainda n\u00e3o identificados que exploraram a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>LABIRINTO<\/p>\n<p>A visita ao forte inspira o turista procure conhecer outro mist\u00e9rio: o Labirinto da Baia. Trata-se de uma estrutura constru\u00edda com pedras que, obedecendo a t\u00e9cnicas primitivas, funcionaria como posto de observa\u00e7\u00e3o contra invas\u00f5es. \u00c9 feita em forma de compartimentos que est\u00e3o distribu\u00eddos &nbsp;obedecendo a uma l\u00f3gica desconhecida, por isso \u00e9 chamada de labirinto.<\/p>\n<p>Pesquisadores de v\u00e1rias partes do mundo emitiram opini\u00f5es sobre o labrinto. Em comum eles concordam que as t\u00e9cnicas da constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam influ\u00eancia da engenharia dos portugueses nem dos espanh\u00f3is. V\u00e1rios deles arriscam a dizer que a estrutura \u00e9 uma prova da passagem dos povos incas que habitavam a Am\u00e9rica pr\u00e9-colombiana que fugiam da coloniza\u00e7\u00e3o espanhola.<\/p>\n<p>Um dos personagens mais emblem\u00e1ticos da hist\u00f3ria do Forte Pr\u00edncipe da Beira \u00e9 praticamente um desconhecido. Chama-se Pacheco e foi prisioneiro na masmorra da constru\u00e7\u00e3o. Deixou nas paredes da cela em que viveu poemas apaixonados e pelo menos um registro assombroso ocorrido em 1853: um terremoto. \u00c9 dele o \u00fanico \u2018escrito\u2019 existente sobre o acontecimento que apavorou quem estava nas imedia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Numa de suas manifesta\u00e7\u00f5es, Pacheco escreveu:<\/p>\n<p>\u201cNesta triste e Horrorosa pris\u00e3o<\/p>\n<p>Vive o pobre e Enfeliz Pacheco<br \/>\nCom gro\u00e7a e comprida corrente ao pesco\u00e7o.<br \/>\nMato Gro\u00e7o me prendeo<br \/>\nA Fortaleza me cativou<br \/>\nPreso e cativo estou<br \/>\nDe quem tanto me favoreceo<br \/>\nGrande satisfa\u00e7\u00e3o tevi<br \/>\nQuando em liberdade<br \/>\nAgradecer a boa vontade<br \/>\nCom que alguns senhores<br \/>\nMe fazem seus favores<br \/>\nNesta minha advercidade<br \/>\nNeste desterro desgra\u00e7ado<br \/>\nEm que a \u00e7orte me lan\u00e7ou<br \/>\nmuito agradecido estou<br \/>\na tropa e o povo honrado<br \/>\nagradecido e obrigado<br \/>\nas esmolas que me teem feito<br \/>\nCapit\u00e3o Cunha em meu peito<br \/>\no teu nome tenho gravado<br \/>\ne nele conservado<br \/>\nca ahonde do Brasil<br \/>\no reino principia<br \/>\nprovincia de Mato Gro\u00e7o<br \/>\nassim chamada<br \/>\nnesta abobada imunda inabitada<br \/>\nnoite e dia<br \/>\ncom gro\u00e7a e comprida<br \/>\ncorrente fria<br \/>\ntem seu colar<br \/>\nno pesco\u00e7o pendurada<br \/>\ncom dois mantos<br \/>\nescolhidos e emprestados<br \/>\npelos maiores<br \/>\nquena terra havia\u201d<br \/>\n<span style=\"font-size: x-small;\"><br \/><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: x-small;\">Texto: Nonato Cruz<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: x-small;\">Secom &#8211; Governo de Rond\u00f4nia<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imponente, o Forte Pr\u00edncipe da Beira resiste na paisagem apaixonante do Vale do Guapor\u00e9. 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